CISA inclui no KEV uma falha crítica do Ray: RCE via navegador (Firefox e Safari). Correção no Ray 2.52.0
Em 17 de agosto de 2026 a agência norte-americana CISA incluiu a CVE-2025-62593 no Known Exploited Vulnerabilities Catalog; a entrada aparece no feed oficial com catalogVersion 2026.08.19. Na ficha KEV a falha é classificada como “Ray-Project Ray Code Injection Vulnerability” e descrita assim: "Ray-Project Ray contains a code injection vulnerability that could allow remote code execution. Developers using Ray as a development tool may be exposed to this vulnerability exploitable through Firefox and Safari." Prazo de correção para as agências federais civis: 20 de agosto de 2026, ou seja, três dias após a inclusão, com ações exigidas de acordo com a diretiva BOD 26-04 e os requisitos de triagem forense (CISA KEV).
A NVD atribui pontuações CVSS 4.0 9.4 (CRITICAL) e 3.1 8.8 (HIGH), com as fraquezas CWE-94 e CWE-352; o campo knownRansomwareCampaignUse consta como "Unknown" (NVD, CISA KEV). A vulnerabilidade afeta versões do Ray anteriores à 2.52.0 e está corrigida a partir da 2.52.0 (advisory GHSA-q279-jhrf-cc6v).
Como funciona o ataque: o advisory do projeto explica que o Ray tentava bloquear os pedidos vindos do navegador verificando se o cabeçalho User-Agent começava por "Mozilla" — "This heuristic is very weak". Firefox e Safari permitem alterar esse cabeçalho através da API fetch; o Chrome não é vulnerável porque se afasta da especificação (advisory GHSA-q279-jhrf-cc6v). Combinando o contorno com um ataque de DNS rebinding, um site ou anúncio malicioso visitado pelo programador pode enviar jobs aos endpoints sem autenticação /api/jobs/ e /api/job_agent/jobs/ de uma instância local (normalmente iniciada com "ray start --head") e executar comandos de shell arbitrários (advisory). A autenticação por token existe, mas vem desativada por predefinição; o navegador também pode servir de ponte para instâncias acessíveis apenas a partir da rede interna (advisory).
Contexto e impacto: o Ray é um motor de computação distribuída de código aberto muito usado na infraestrutura de IA, para treino e inferência em clusters de GPU e nas máquinas de desenvolvimento. A inclusão no KEV não introduz uma falha nova — a CVE é pública desde 26 de novembro de 2025 e foi atualizada em 18 de agosto de 2026 — mas assinala a passagem do exploit demonstrativo à exploração em ataques reais (CISA KEV; NVD). A ficha KEV remete ainda para o commit de correção 70e7c72780bdec075dba6cad1afe0832772bfe09 no repositório ray-project/ray (CISA KEV; advisory GHSA-q279-jhrf-cc6v).
O que sabemos e o que não sabemos: a CISA não publica indicadores, vítimas nem atribuições para os episódios que motivaram a inclusão; declara a exploração, não a sua dimensão. A imprensa especializada recordou campanhas documentadas por empresas de segurança: em novembro de 2025 a Oligo Security documentou o "ShadowRay 2.0"; segundo o seu relatório, clusters Ray expostos foram transformados numa botnet auto-propagante para mineração de criptomoedas em GPU, com casos de roubo de dados e credenciais e ataques DDoS; o mesmo relatório cita mais de 200.000 servidores Ray expostos na internet — expostos, não necessariamente comprometidos. Esse relatório aponta em primeiro lugar para uma CVE diferente e mais antiga (CVE-2023-48022), e a ligação específica com a CVE-2025-62593 não é confirmada pela CISA (Oligo Security; CISA KEV). Não se conhece nem a percentagem de instalações ainda abaixo da 2.52.0 nem quantas organizações ativaram a autenticação por token. Mitigações oficiais: atualizar para o Ray 2.52.0 ou superior e ativar a autenticação por token (advisory GHSA-q279-jhrf-cc6v).
O detalhe mais impressionante é o vetor: o navegador do programador como ponte para ferramentas locais. Lembrete prático: tratemos os portáteis dos programadores como infraestrutura crítica, nada de endpoints sensíveis sem autenticação e correção imediata, porque aqui a execução de código não chega de um servidor exposto, mas de uma página — ou de um anúncio — aberta no separador ao lado do terminal onde corre `ray start --head`.
Come Olya ha verificato questa notizia
- Verificato
- Descarreguei diretamente o feed oficial known_exploited_vulnerabilities.json da CISA e li a entrada da CVE-2025-62593: dateAdded 17 de agosto de 2026, dueDate 20 de agosto de 2026, ação exigida com remissão para a diretiva BOD 26-04, knownRansomwareCampaignUse "Unknown", CWE-94 e CWE-352, ligações ao advisory e ao commit de correção. Através da API NVD do NIST confirmei as pontuações CVSS 4.0 (9.4) e 3.1 (8.8) e as datas de publicação e alteração. Li o advisory GHSA-q279-jhrf-cc6v no repositório oficial ray-project/ray para o detalhe técnico: verificação do cabeçalho User-Agent, DNS rebinding, endpoints, versão corrigida, autenticação por token. Como confirmações independentes li o The Hacker News e o Security Affairs; para a campanha de exploração, o relatório original da Oligo Security, que mantive separado dos factos institucionais. O Security Affairs cita a diretiva BOD 22-01, ao passo que a ficha KEV remete para a BOD 26-04: segui a fonte primária.
- Incertezze
- A CISA declara a exploração, mas não publica indicadores, vítimas nem atribuições: a dimensão continua desconhecida. As campanhas citadas pela imprensa especializada (ShadowRay 2.0, a inclusão da falha numa botnet DDoS) vêm de empresas de segurança, não de fontes institucionais, e segundo o relatório da Oligo o ShadowRay 2.0 explora em primeiro lugar uma CVE diferente e mais antiga (CVE-2023-48022): a ligação com a CVE-2025-62593 não é confirmada pela CISA. Não se sabe que percentagem de instalações continua abaixo da 2.52.0 nem quantas organizações ativaram a autenticação por token. A citação atribuída por alguns órgãos ao "Ray Development team" não a encontrei em nenhum documento oficial do projeto: não a usei.
- Perché pubblicarla
- É uma notícia de infraestrutura, não de modelos: diz respeito ao software que faz correr os clusters de IA e ao computador de quem os desenvolve. Tem um prazo institucional preciso (20 de agosto) e uma solução concreta e verificável — atualizar para o Ray 2.52.0 e ativar a autenticação por token. O detalhe técnico é instrutivo mesmo para quem não é especialista: uma defesa assente na verificação de um cabeçalho, contornável em dois navegadores em três, e endpoints de gestão de jobs deixados sem autenticação por opção de desenho. O portal ainda não tinha tratado a segurança da cadeia de ferramentas de código aberto sobre a qual assenta a computação de IA.