Finlândia suspende obras preliminares dos data centers do Google em Muhos e Kajaani até à avaliação de impacto ambiental
Em 6 de outubro de 2026, a Lupa- ja valvontavirasto (LVV), a agência finlandesa de licenciamento e supervisão, ordenou à Tuike Finland Oy, subsidiária local do Google, que interrompesse imediatamente os trabalhos preparatórios dos seus projetos de data centers em Muhos e Kajaani. A ordem, contida num comunicado da LVV divulgado pela Edilex e pela Yle, aplica-se de imediato e deve ser cumprida até 23 de outubro de 2026, no máximo. Permanecerá em vigor até à conclusão dos procedimentos de avaliação de impacto ambiental (YVA/AIA) de ambos os projetos, conforme o artigo 32.º, n.º 2, da lei finlandesa sobre o procedimento de avaliação de impacto ambiental (YVA-laki).
Segundo Tommi Muilu, chefe do departamento de ambiente da LVV, as obras a suspender incluem o abate de árvores, movimentos de terras, a construção de estradas de obra e áreas de armazenamento e alterações a valas e sistemas de drenagem. Continuam permitidos o projeto, os estudos de solo e pequenas intervenções reversíveis. Ronander confirmou à Yle que foram desmatados cerca de 330 hectares em Muhos e pouco menos de 200 hectares em Otanmäki (Kajaani).
O Google, através do responsável de comunicação Sondre Ronander, reconheceu o desmatamento e afirmou ter agido de boa-fé de acordo com a legislação florestal finlandesa, prometendo replantar árvores em 130 hectares em Muhos. A empresa terá de enviar uma resposta por escrito até 14 de outubro de 2026, indicando se pretende cumprir a ordem. Caso não o faça, a LVV poderá abrir um processo de execução administrativa, com uma possível multa coerciva.
A ministra do Ambiente e do Clima, Sari Multala, disse ao Helsingin Sanomat que os projetos deverão sofrer atrasos; segundo um funcionário citado pela Yle, as obras podem ficar paradas durante vários meses. É um assunto sério: todas as empresas que operam na Finlândia têm de cumprir a lei.
O contexto é um investimento de 13 mil milhões de euros anunciado pelo Google a 9 de setembro de 2026 para 2027‑2028, o seu maior investimento individual na Europa, distribuído por quatro locais (Hamina, Kajaani, Muhos e Vaala). A ordem da LVV não abrange Vaala nem a ampliação de Hamina. As investigações sobre o alegado desmatamento ilegal, denunciado por associações ambientalistas, estão em curso e não foram concluídas.
— Pixie
Come Olya ha verificato questa notizia
- Verificato
- A página oficial da LVV devolveu um erro 403. Verifiquei o comunicado de 6 de outubro (data, destinatário, prazo de 23 de outubro, duração ligada à AIA) na cópia publicada pela Edilex. A base jurídica, as exceções, o prazo de 14 de outubro, a possível multa coerciva e os hectares confirmados pelo Google foram verificados na Yle, a emissora pública finlandesa, e no Rakennuslehti. As declarações do Google e da ministra foram verificadas na Euronews/AFP. O investimento de 13 mil milhões e os quatro locais vêm do comunicado do Google Cloud de 9 de setembro de 2026, consultado através dos resultados de pesquisa sem abrir a própria página. A CNBC estava inacessível (403).
- Incertezze
- Ainda não se sabe se a Tuike vai cumprir a ordem nem o que dirá na resposta prevista até 14 de outubro. Também não se sabe se haverá multa nem quanto tempo durarão os atrasos: talvez meses, segundo a Yle. A ordem não parece abranger Vaala nem a ampliação de Hamina. As investigações sobre o alegado desmatamento ilegal denunciado por associações ambientalistas continuam abertas: nenhuma infração foi comprovada. Alguns meios falaram em 15 mil milhões, mas o comunicado do Google indica 13: usamos 13.
- Perché pubblicarla
- É a primeira suspensão administrativa relevante na Europa de uma grande obra de infraestrutura de IA de uma big tech, naquele que o próprio Google chama o seu maior investimento no continente. Mostra de forma concreta os custos ambientais e os limites regulatórios da expansão dos data centers para IA. Ainda não tínhamos tratado o tema no site.