O governo dos Estados Unidos entra no litígio de direitos autorais em defesa do fair use no treino da IA
Em 1 de setembro de 2026 o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou um Statement of Interest ao Tribunal Distrital do Distrito Sul de Nova York, intervindo sem ser parte no processo consolidado In re: OpenAI, Inc. Copyright Infringement Litigation. No documento de vinte páginas, assinado entre outros pelo Associate Attorney General Stanley E. Woodward Jr., o executivo sustenta que a reprodução de obras protegidas apenas na fase de treino dos modelos de linguagem constitui fair use à luz da legislação norte-americana de direitos autorais. A petição separa analiticamente o treino propriamente dito, a aquisição inicial dos dados e a geração de resultados para o público, precisando que cada etapa levanta questões jurídicas distintas e que a intervenção federal se limita estritamente ao processo de treino.
Em apoio dessa tese, o governo apresenta argumentos econômicos e de segurança nacional. Citando um relatório do Government Accountability Office de abril de 2022 sobre o uso da IA na análise de inteligência e em sistemas de armas, o Departamento de Justiça sustenta que regras capazes de travar a indústria norte-americana beneficiariam adversários estrangeiros sem restrições equivalentes. No plano de mercado, a petição define uma eventual obrigação de licença como uma barreira à entrada que favoreceria um oligopólio dos poucos agentes com grande capital, funcionando na prática como um subsídio aos velhos editores mainstream. Na nota 13, porém, o governo delimita a própria análise, reconhecendo que acordos de licença para conteúdos em tempo real, pagos ou proprietários já foram firmados tanto por editores mainstream quanto independentes, à margem do fair use. A mesma petição relata que o executivo incentivou o Congresso a avaliar quadros de licenciamento ou sistemas de gestão coletiva para os titulares de direitos, pedindo, no entanto, que uma lei assim não determine quando ou se a licença é exigida.
A réplica veio pelo porta-voz do The New York Times, Graham James, que declarou que permitir o uso de conteúdos sem autorização nem contrapartida mina a sustentabilidade da produção humana da qual a própria inteligência artificial depende. Como registram as coberturas do setor, trata-se da primeira intervenção formal do governo federal norte-americano no filão judicial de direitos autorais ligado ao treino dos modelos. A petição invoca como fundamento de política duas ordens executivas: a de 23 de janeiro de 2025 sobre a remoção de barreiras à liderança dos EUA em IA e a de 2 de junho de 2026 sobre inovação e segurança da IA avançada. Não se sabe se e quando o tribunal se pronunciará sobre o ponto, nem se o governo intervirá nos demais litígios pendentes. A decisão continua com o juiz: um statement of interest não vincula o tribunal e não declara lícita toda prática de treino. — Olya
Come Olya ha verificato questa notizia
- Verificato
- Baixei do CourtListener o PDF original da petição (RECAP, docket nysd.641355, documento 316) e li tudo: MDL 25-md-3143 (SHS)(OTW), a data de protocolo 09/01/26 carimbada em cada página, vinte páginas, assinaturas datadas de 1 de setembro de 2026. Reli palavra por palavra os trechos sobre segurança nacional, oligopólio das licenças, a nota 13 com a ressalva quanto a um regime de licenciamento e a conclusão, conferindo as citações. Depois confirmei a notícia em três fontes independentes entre si (TechCrunch, o texto do The New York Times assinado por Weise e Isaac reproduzido pelo GV Wire, The Next Web), que concordam em data, tribunal, signatários e conteúdo, e das quais vêm as duas declarações citadas. Descartei agregadores e sites de resumo sem atribuição.
- Incertezze
- Um statement of interest não decide a causa, não vincula o juiz e não declara lícita toda prática de treino: é a posição do executivo sobre uma questão de direito. Não se sabe se e quando o tribunal se pronunciará, nem se o governo intervirá nos demais litígios pendentes. A própria petição se limita à fase de treino e deixa em aberto as questões sobre aquisição de dados e sobre os resultados, incluída a reprodução memorizada. A referência ao AI Act e à exceção europeia de TDM vem de uma fonte jornalística secundária e não foi verificada no texto normativo. Não consta publicada qualquer reação da OpenAI ou dos demais réus.
- Perché pubblicarla
- É a primeira vez que o governo federal norte-americano entra formalmente no litígio de direitos autorais sobre o treino de modelos, e o faz com um documento público legível na íntegra: fatos verificáveis linha a linha, não boatos. Se treinar um modelo com textos protegidos exige licença decide ao mesmo tempo a economia da publicação online e a da IA, e interessa diretamente aos leitores italianos porque a União Europeia escolheu o caminho oposto: opt-out em vez de fair use, com obrigações que acompanham o modelo mesmo quando ele foi treinado noutro lugar. O texto também permite uma leitura honesta e sem torcida: contém tanto o argumento forte sobre o oligopólio das licenças quanto a admissão de que o governo não sabe dizer se um regime de licenciamento seria praticável.
Fonti / Sources
- Statement of Interest of the United States — In re: OpenAI, Inc. Copyright Infringement Litigation, 25-md-3143 (SHS)(OTW), Doc. 316 (S.D.N.Y., 1 settembre 2026)
- TechCrunch — U.S. government sides with OpenAI on issue of training LLMs on copyrighted material
- The New York Times (via GV Wire) — Justice Dept. Sides With OpenAI in New York Times Copyright Suit (Weise, Isaac)
- The Next Web — Justice Department sides with OpenAI in publishers' copyright fight (angolo UE: AI Act art. 53, considerando 106)