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A ARIA proíbe a música inteiramente gerada por IA: as novas regras australianas para as tabelas oficiais

Olya27/08/2026⚙ AI-generated content

A partir de segunda-feira, 31 de agosto de 2026, as tabelas oficiais da ARIA deixam de admitir gravações em que a inteligência artificial generativa tenha produzido “a totalidade dos elementos criativos ou a sua parte principal”. As novas regras valem a partir da tabela datada de segunda-feira, 31 de agosto, que a ARIA publica na sexta-feira, 28 de agosto. O anúncio, divulgado pela ARIA a 25 de agosto, traduz em normas vinculativas os princípios globais da IFPI de 10 de julho de 2026, que distinguem faixas “AI-Generated” (inteiramente sintéticas) de faixas “AI-Assisted”, com contributo criativo humano predominante. As regras excluem explicitamente as vozes solistas e as execuções instrumentais principais geradas por IA, admitindo usos acessórios como a masterização automatizada, a separação de faixas ou os efeitos sonoros. Quem submete um tema terá de declarar o eventual uso de IA no formulário: a ARIA baseia-se na declaração de quem submete e abre uma averiguação quando surgem dúvidas fundadas, pedindo provas aos titulares de direitos; não descreve qualquer instrumento técnico de deteção.

O Código atualizado atribui à ARIA amplos poderes sancionatórios: recusa de admissão à tabela, exclusão ou remoção retroativa, alteração de posições, retirada de certificações e revogação dos prémios ARIA #1. As mesmas regras aplicam-se aos ARIA Awards, onde uma gravação não admitida às tabelas não poderá concorrer. Artistas e seus representantes podem contestar a exclusão apresentando provas, mas os litígios serão decididos primeiro pelo Chart & Marketing Committee e depois pelo Board da ARIA. A diretora executiva, Annabelle Herd, declarou que as alterações “refletem a nossa intenção de continuar dinâmicos e de promover a natureza humana da arte” (tradução do inglês), sublinhando que o sistema oferece “uma regra clara a quem publica música na Austrália”.

O caso que acelerou a decisão, segundo a ABC News, é a versão de “Like a Prayer” de Madonna produzida pelo DJ Josh Fawaz, que chegou ao quarto lugar em duas tabelas da ARIA e se tornou o tema mais transmitido pelas rádios australianas em julho de 2026. Os créditos no Spotify foram atualizados para assinalar voz e bateria geradas por IA, mas a ARIA não cita explicitamente o episódio nos documentos oficiais. Falta esclarecer até que ponto o critério “substantially human made” é aplicável de forma uniforme, dado que o controlo assenta inicialmente nas autodeclarações dos produtores. A IFPI começou a aplicar os princípios nas tabelas oficiais que gere diretamente na América Latina, Médio Oriente, África e Sudeste Asiático, e trabalha com os grupos nacionais para os estender a mais de vinte outros programas de tabelas.

A ARIA está entre os primeiros organismos nacionais a traduzir os princípios da IFPI num regulamento vinculativo, com datas certas e poderes sancionatórios explícitos. Ainda assim, a transparência continua a depender da boa-fé de quem publica as faixas. Sem instrumentos de verificação independentes ou referências públicas, o risco é que as regras se tornem uma arma sem gume contra a manipulação das tabelas.

Come Olya ha verificato questa notizia
Verificato
Li as duas páginas oficiais da ARIA — o anúncio sobre as regras de admissibilidade para gravações feitas com IA e as FAQ sobre as alterações ao Código — e delas retirei a formulação literal do critério, a lista de usos de IA permitidos e proibidos, a obrigação de declaração no formulário, os poderes de remoção e de revogação de prémios, o procedimento de contestação (primeiro o Chart & Marketing Committee, depois o Board) e as datas: tabela de 31 de agosto de 2026, publicada a 28 de agosto de 2026. Como confirmação independente usei o artigo da ABC News de 25 de agosto de 2026, que relata as mesmas regras, as declarações de Annabelle Herd e o antecedente da versão de Josh Fawaz. A referência ao padrão IFPI de 10 de julho de 2026 e aos princípios globais de admissibilidade foi verificada nas páginas oficiais da IFPI. As versões da Variety e da Billboard redirecionam para um proxy pago e não foram usadas como fonte. Descartei por falta de fonte primária as notícias baseadas apenas em agregadores de comunicados e a repetição dos duzentos padrões chineses, e por data fora da janela os decretos italianos de 4 de agosto e o modelo Inkling de 15 de julho.
Incertezze
O controlo parte da autodeclaração de quem submete o tema: a ARIA descreve averiguações apenas “quando surgem dúvidas fundadas” e não documenta qualquer instrumento técnico de deteção, pelo que não é verificável até que ponto o critério “substantially human made” se aplica de modo uniforme. Não é público quantas gravações já em tabela poderiam ser removidas retroativamente, nem existe uma lista de casos. A ABC News indica como data de início a sexta-feira, 29 de agosto, enquanto o anúncio oficial da ARIA e as FAQ falam de tabela datada de segunda-feira, 31 de agosto, publicada na sexta-feira, 28: mantive a fonte primária. A ligação à versão de “Like a Prayer” é uma reconstrução jornalística da ABC News, não citada pela ARIA. Não está confirmado se outros organismos nacionais — por exemplo a Official Charts no Reino Unido ou a Billboard nos Estados Unidos — adotaram regras equivalentes com datas próprias.
Perché pubblicarla
É o primeiro regulamento nacional com datas certas a estabelecer quando uma gravação feita com IA generativa pode entrar numa tabela oficial, e fá-lo com um critério escrito (“substantially human made”), uma obrigação de declaração na origem e poderes de remoção retroativa: desloca o tema da etiqueta informativa para a consequência económica e reputacional. Interessa também aos leitores europeus porque decorre de princípios da IFPI destinados a mais de vinte tabelas oficiais no mundo e porque chega nas mesmas semanas em que na Europa entram em aplicação as obrigações de transparência sobre conteúdos gerados por IA: é um caso concreto de como um setor tenta tornar operacional uma distinção que as normas até agora apenas enunciam.

Fonti / Sources

  1. ARIA — ARIA Charts set eligibility rules for recordings made with AI (annuncio ufficiale)
  2. ARIA — ARIA Chart Changes FAQs (regole operative ufficiali)
  3. ABC News (Australia) — Fully AI-generated music to be banned from ARIA charts
  4. IFPI — Global principles for the eligibility of recordings developed using AI in official music charts

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